Vicente Martiniano Olá, eu sou o Vicente, minha mãe engravidou de mim a seguir a uma operação ao apêndice, não estava à espera como é óbvio, mas assim que soube que estava grávida fui muito desejado, meus papás e manos não cairam em si de felicidade, foi uma alegria para todos nós! Correu tudo muito bem até às 18 semanas, altura em que a minha mãe foi fazer a amniocentese, o exame correu bem a mãe ficou em repouso absoluto mas nessa noite ao fazer força na casa de banho o pior aconteceu,começou a perder líquido amniótico. Minha mãe foi internada 20 dias no hospital de Portimão em repouso absoluto pois a esperança de eu vir a sobreviver não era muita. Foram longos 20 dias mas eu sobrevivi... De seguida foi uma gravidez normal, vigiada todos os meses no particular, tudo corria bem, até que às 31 semanas e 4 dias quando a minha mãe foi ao médico ele disse lhe que o bebé estava com restrição de crescimento e que agora tinha que a vigiar todas as semanas, mandou a minha mãe na semana seguinte ir ao hospital para a observar e foi nesse dia 02 de Setembro de 2015 que tudo aconteceu, minha mãe chegou ao hospital normalmente, esperou que o médico a atendesse e a pior notícia surgiu, tinham de mandá la de urgência para Faro para uma cesariana de emergência, pois eu já estava em sofrimento... com 32 semanas e 4 dias pesava apenas 1,258kg e media 38,5cm, peso muito baixo para a minha idade gestacional... minha mãe só me viu no dia seguinte e não se conteve em lágrimas pois eu era muito pequenino, muito frágil, muito diferente dos meus dois manos. Os dias que se seguiram foram de muito sofrimento para os nossos papás e para mim também,eu era muito chorão e só queria sentir o cheiro e o calor da minha mãe para me acalmar. Estive no CPAP alternado com O2 de alto fluxo durante 18 dias, tive uma infecção que tive de fazer antibiótico, fiz fototerapia, não ganhava muito peso, mas o pior de tudo foi quando fiz a ecografia à cabeça e me foi diagnosticado lesões extensas graves... aí tudo mudou, tinha uma paralisia cerebral. Na altura foi um choque para os papás que mal sabiam o que isso era mas eles nunca baixaram os braços nem desistiram de mim, era viver um dia de cada vez. Ao fim de muitas batalhas vencidas e de 32 dias na Neonatologia do Hospital de Faro, fui transferido para o Hospital de Portimão com 1,636kg onde permaneci mais 17 dias para ganhar peso e aprender a comer para retirar a sonda... Finalmente tive alta no dia 22 de Outubro com 2,190kg, estava desejoso de conhecer o meu lar, os meus manos e o mundo lá fora pois eu sempre fui e ainda sou muito observador. Hoje estou com 26 meses reais ainda não ando, não me sento e só agora comecei a dizer algumas palavras. Ando na fisioterapia, terapia da fala e fui para a cresce em Setembro onde adoro os meninos. Nada me vai parar e luto todos os dias para ganhar todas as batalha que me apareçam pela frente, eu sei que é difícil mas nada é impossível ...apesar de tudo o que aconteceu em minha curta vida sou muito feliz e isso sim é uma das coisas mais importantes da vida, é ser aceite assim como eu sou e ser amado... Nem todos os finais são perfeitos ou melhor dizendo felizes, mas acreditem que neste momento não trocaria o meu filho Vicente por mais nenhum, porque aprendi a amá-lo assim como ele é e a viver com todas as limitações que ele tem, não tenham vergonha porque estas crianças especiais ensinam-nos muito e dão-nos muito amor.... és um guerreiro por tudo aquilo que passaste, tinhas de nascer... Amo-te ❤❤ Quero agradecer aos tios e tias da Neonatologia de Faro e Portimão, aos médicos, auxiliares e aos outros papás pela força... pois sem vocês teria sido bem mais difícil.

Quem somos